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Avaliação de MTTFd: como determinar a confiabilidade de componentes de segurança

A Avaliação de MTTFd: como determinar a confiabilidade de componentes de segurança é uma etapa que ajuda a transformar decisões de projeto em critérios técnicos justificáveis. Em Segurança de Máquinas, não basta afirmar que um componente “tem boa confiabilidade”, é necessário demonstrar, com base em premissas claras, como esse nível foi estimado e como ele se conecta às exigências da ISO 13849-1.

MTTFd é a sigla para Mean Time To Dangerous Failure, ou seja, o tempo médio até uma falha perigosa. Na prática, ele contribui para determinar o desempenho de funções de segurança, junto com outros fatores como arquitetura, diagnóstico, comportamento em falhas e medidas contra falhas de causa comum. Por isso, quando o MTTFd é tratado de forma superficial, o projeto tende a perder rastreabilidade, o que impacta diretamente análises, validação e documentação técnica.

Por que o MTTFd costuma gerar dúvidas no projeto

A maior fonte de confusão está no fato de que o MTTFd aparece, muitas vezes, como um “número pronto”. Porém, esse valor pode vir de origens diferentes, e cada origem tem implicações.

Para evitar distorções, é importante separar três camadas que não devem ser misturadas: dados de catálogo, uso real e cálculo de MTTFd.

1) Dados de catálogo: ponto de partida, não resposta final

Fabricantes podem fornecer informações como B10, B10d e, em alguns casos, o próprio MTTFd. Esses dados são relevantes, mas precisam ser interpretados dentro do contexto em que foram obtidos. Em geral, estão associados a premissas de ensaio e condições de operação específicas, por exemplo: carga aplicada, tipo de acionamento, frequência, temperatura, contaminação e regime de trabalho.

O problema começa quando se assume que o valor do catálogo representa automaticamente a aplicação real. Mesmo que o componente seja o mesmo, o cenário de uso pode ser diferente o suficiente para alterar o comportamento de desgaste e falhas ao longo do tempo.

2) Uso real: o perfil de missão que define o que “vale” para a sua máquina

O uso real é o elemento que mais altera o resultado final do MTTFd calculado, especialmente porque ele afeta diretamente a quantidade de operações ao longo do ano, normalmente expressa como nop.

Antes de qualquer conta, é necessário mapear como o componente trabalha na sua operação. Para isso, vale levantar informações como:

  • tempo de ciclo da máquina e frequência de acionamento do componente;
  • regime de turnos e dias de operação por ano;
  • variações de carga e perfil de trabalho (picos de produção, sazonalidade, setups);
  • condições ambientais (vibração, poeira, umidade, temperatura);
  • práticas de manutenção, ajustes e substituições ao longo da vida útil.

Esses fatores mudam a taxa de solicitação do componente e podem antecipar falhas perigosas. Em outras palavras, uso real não é detalhe, é o que define se o valor estimado faz sentido para a realidade do processo.

3) Cálculo de MTTFd: transformar premissas em confiabilidade rastreável

O cálculo de MTTFd é o momento em que o projeto deixa de ser interpretação e passa a ter rastreabilidade. Em componentes em que a vida útil é associada ao número de ciclos, é comum partir de valores como B10d e relacioná-los ao nop para estimar o MTTFd.

Mais importante do que decorar fórmulas é garantir consistência. Isso significa documentar:

  • quais dados do fabricante foram utilizados (B10, B10d, MTTFd ou outro);
  • como o nop foi determinado a partir do ciclo e do regime de trabalho;
  • quais premissas foram adotadas e quais limitações existem no cenário avaliado;
  • como o resultado foi aplicado na função de segurança e na arquitetura do sistema.

Quando essa sequência está bem descrita, a equipe reduz dúvidas na validação, evita decisões divergentes e fortalece o dossiê técnico do projeto.

Erros comuns que comprometem a avaliação

Algumas falhas recorrentes costumam explicar porque o MTTFd “não fecha” ou porque o projeto fica vulnerável a questionamentos:

  • usar dados do catálogo sem checar se as premissas correspondem ao uso real;
  • estimar nop de forma genérica, sem considerar turnos, tempo de ciclo e frequência de acionamento;
  • aplicar valores de componentes sem definir claramente a função de segurança e o contexto de uso;
  • não registrar as premissas, o que dificulta revisões, auditorias e validações futuras.

Como a MTX apoia na avaliação de MTTFd em projetos de Segurança de Máquinas

Na MTX, a avaliação de MTTFd é tratada como parte do encadeamento técnico do projeto, conectando requisitos, arquitetura e validação. A partir do levantamento do perfil de missão e das informações do componente, estruturamos premissas verificáveis, registramos critérios e integramos o resultado ao desenvolvimento das funções de segurança e à documentação.

Da estimativa à tomada de decisão técnica

Quando dados de catálogo, uso real e cálculo são tratados como etapas distintas, o MTTFd deixa de ser um número isolado e passa a ser uma evidência técnica. Esse cuidado melhora a rastreabilidade do projeto e sustenta decisões com base em premissas explícitas, alinhadas ao funcionamento da máquina e às exigências de segurança.

Se você quer revisar o MTTFd dos seus componentes e transformar o ciclo da sua operação em critérios claros para o projeto de segurança, fale com a MTX.

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Diferença técnica entre função de parada e parada de emergência

Entender a diferença técnica entre função de parada e parada de emergência é fundamental para garantir segurança, preservar componentes e evitar erros operacionais em máquinas e equipamentos. Embora ambos os recursos interrompam o funcionamento da máquina, eles não têm a mesma finalidade. Na prática, confundir essas funções pode comprometer a lógica de segurança e gerar desgaste desnecessário em dispositivos críticos.

Um erro comum na operação diária

Um problema comum no ambiente industrial acontece quando o botão de emergência passa a ser utilizado como comando de parada no dia a dia. Isso pode parecer uma solução prática, mas é uma aplicação inadequada. A parada de emergência foi concebida para situações anormais ou perigosas, nas quais é necessário interromper rapidamente o funcionamento da máquina para reduzir riscos à integridade das pessoas. Já a parada de processo faz parte da operação normal do equipamento e deve ser usada em interrupções previstas no fluxo produtivo.

O papel da parada de processo

Essa diferença é importante porque a parada de processo pode ser estruturada para ocorrer de forma controlada, conforme a necessidade da máquina e da aplicação. Em muitos casos, o sistema precisa interromper movimentos sem causar impactos desnecessários ao equipamento, ao produto ou à sequência operacional. Por isso, é necessário prever comandos próprios para essa finalidade, permitindo que a máquina pare de forma coerente com a rotina da operação.

A função da parada de emergência

A parada de emergência, por sua vez, tem caráter auxiliar de segurança. Sua função é atuar quando há uma condição de risco, exigindo uma interrupção rápida do processo perigoso. Ou seja, ela não deve substituir os comandos normais de operação. Quando esse dispositivo passa a ser utilizado com frequência como recurso operacional, surgem dois efeitos negativos: o primeiro é o desgaste prematuro do botão e dos componentes associados; o segundo é a banalização de uma função crítica, que deveria ser preservada para situações realmente emergenciais.

Impactos do uso incorreto da emergência

Além disso, o uso incorreto da emergência pode prejudicar a rotina operacional. Dependendo da arquitetura de segurança, o acionamento desse recurso pode exigir rearme, reset e validações adicionais para retomada da máquina. Quando isso acontece repetidamente por um hábito inadequado de operação, o processo se torna menos fluido e mais sujeito a falhas de procedimento.

A importância da separação entre as funções

Por esse motivo, a orientação técnica é clara: deve existir separação entre as paradas de processo e as paradas de emergência. Cada função precisa ter seu papel bem definido no sistema, tanto do ponto de vista do projeto quanto da operação. Essa prática contribui para maior previsibilidade, melhor uso dos dispositivos e mais aderência às exigências da NR-12, que trata da segurança no trabalho em máquinas e equipamentos.

Análise indispensável em projetos e adequações

Em projetos novos, adequações e retrofits, essa análise é indispensável. Avaliar corretamente a função de cada parada ajuda a evitar soluções improvisadas e reduz a chance de falhas futuras. Também fortalece a cultura de segurança, porque orienta operadores e equipes de manutenção sobre o uso correto dos dispositivos.

Como a MTX pode apoiar

Se a sua empresa precisa revisar sistemas de segurança, adequar máquinas à NR-12 ou definir corretamente funções de parada e parada de emergência, a MTX pode apoiar esse processo com análise técnica, projeto de sistemas de segurança e adequação de máquinas.

Entre em contato com a MTX e avalie como melhorar a segurança e a confiabilidade das suas máquinas.